segunda-feira, 7 de agosto de 2017

23 de setembro de 2017

Evangélicos astrólogos ressurgem com força!



Todos os dias alguns de meus leitores me escrevem perguntando sobre o que acontecerá no dia 23 de setembro de 2017. Basta consultar Mr. Google e ele fornecerá as mais diversas opiniões. A maioria dos comentaristas relatam que no 23 de setembro de 2017 ocorrerá a grande profecia de Apocalipse 12 sobre a mulher com dores de parto para dar à luz e o dragão querendo lhe devorar o filho que nascerá.
Algumas profecias da Bíblia, como a de Apocalipse 12 são atemporais, isto é, não apontam para um determinado dia, mas apresentam um quadro do passado, presente e futuro. A questão é discernir que acontecimento se deu no passado, qual acontecimento está ocorrendo e o que ainda ocorrerá. Alguns interpretam a mulher de Apocalipse 12 como Israel, outros como a igreja; a criança como Jesus outros como sendo a igreja etc. Deixo ao leitor a opção de estudar e, se puder, tire suas próprias conclusões. O que se vê em Apocalipse 12 é que a peleja com Miguel é coisa do passado com reflexos ainda hoje (Ap 12.7-12).
O versículo 13, em que o dragão é atirado na terra “persegue a mulher que dera à luz o filho varão” abre um leque de interpretações e conclui com o v 17 que parece ter efeito direto sobre os remidos, “os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”. Assim, Israel e Igreja, judeus e gentios parecem incluídos na profecia. Esta é minha opinião resumidamente.

Consultando os astros:

Existe, no entanto, uma ala evangélica cujos vaticinadores não hesitam em consultar os mapas do Zodíaco – e se só consultassem que problema haveria? Ora, o Zodíaco e seus signos ou sinais estão na Bíblia, faziam parte das bandeiras ou estandartes das tribos de Israel quando acampadas no deserto, fazem parte da história da astronomia, mas, ao que parece não estão no firmamento para serem consultados. E aqui reside o limite da astronomia para a astrologia. É possível que um estudioso das profecias que tenha conhecimento do mapa celeste consiga enxergar um pouco além de seu tempo, mas não é lhe é permitido pelas Escrituras fazer predições baseados no que diz o mapa do Zodíaco e, sim, no que afirma a Palavra de Deus.
Uma exegese ou interpretação do Salmo 19 fornece pistas dos céus e aponta para as Escrituras. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento (o mapa estelar) as obras de suas mãos” (Sl 19.1). Silenciosamente e sem fazer barulho os céus e o firmamento discursam, revelam conhecimento (vv.2-3), mas sua voz é ouvida por toda a terra e suas palavras até os confins do mundo (vv.4-5). Parece um paradoxo: Não falam, mas ouve-se sua voz; nada dizem, mas suas palavras são ouvidas por toda a terra!
No centro desse firmamento, o Salmo aponta para o sol, e usando uma linguagem poética afirma que o sol tem uma tenda onde reside, e que sai de seus aposentos “se regozija como herói a percorrer o seu caminho” de uma a outra extremidade dos céus e seu calor inunda a terra.
Não existem dúvidas de que se trata aqui do Zodíaco com suas estrelas tendo o sol como príncipe. De fato, tudo gira em torno do herói, o sol. Se o Salmo 19 parasse no versículo seis daria margem para se pensar e atribuir ao Zodíaco o mapa de leitura dos tempos, mas, abruptamente o Salmista tira os olhos dos céus e os põe nas escrituras. Repentinamente, sem qualquer elo de ligação, sem uma alocução verbal, sem um “mas”, “porém”, “todavia” etc. existe uma mudança brusca: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma” (v. 7). Ora, diriam alguns, quando o Salmo afirma que “a lei do Senhor é perfeita” estaria falando da lei que rege o universo, porque é sobre isto que tratam os versículos anteriores. Mas, o restante dos versículos elimina esta possibilidade, porque não apenas fala da lei, mas do testemunho, preceitos e mandamentos indicando as escrituras sagradas como sendo a fonte de todo conhecimento.
Seria muito o leitor abrir sua Bíblia e ler o Salmo 19 observando o corte abruto entre os versículos 6 e 7?
O texto a seguir foi traduzido do apêndice 12 da Companion Bible, editada em inglês por Samuel Bagster and Sons Limited. Qualquer referência tem de ser creditada ao tradutor e aos editores, e não a mim como tradutor.

Signos do Zodíaco na Bíblia

O propósito do Criador está claramente declarado quando menciona pela primeira vez os corpos celestiais. Gênesis 1.14-19 mostra a razão por que foram criados, não apenas “para fazerem separação entre o dia e a noite”, mas que sirvam de “sinais, para estações, para dias e anos” (Gn 1.14). A figura de linguagem polissíndeto, que consiste “na ligação de uma série de termos coordenados por uma mesma conjunção: Temos braços e cérebros e terra e riquezas latente” (acréscimo do tradutor), enfatizam que estes quatro propósitos levando-nos a considerá-los seriamente de maneira separada e independente.
Foram deixados para “sinais”.
No hebraico a palavra “sinal”, é `õth que procede de `ãthah, isto é, o “que virá”. Entender os sinais nos traz grandes esclarecimentos. Os que não entendem, podem ficar espantados, como diz Deus em Jeremias 10.2.
As estrelas estão todas enumeradas e nomeadas. São doze os signos do zodíaco conhecidas como “as estrelas” em Gênesis 37.9 (onze das quais se dobraram diante de José). A palavra zodíaco significa os degraus ou graus que assinalam os vários estágios da jornada do sol pelos céus correspondente aos doze meses do ano.
As estrelas estão todas enumeradas por Deus (Sl 147.4). Muitos nomes de estrelas foram perdidos ao longo dos séculos, mas cerca de cem nomes ficaram preservados na tradição árabe e judaica e são usadas pelos astrônomos de hoje; ainda que os astrônomos desconheçam o significado de seus nomes. Muitos nomes de estrelas são mencionados nas escrituras e são bastante conhecidos, ainda que a tradução seja motivo de especulação. Exemplo disso é Jó 9.9. A palavra hebraica é `ãsh  (Arcturo que é traduzida na Revised Version como Ursa) Kesil traduzida como Órion e kimãh, traduzida Plêiade. Em Jó 38.31-32, mazzãroth (os doze sinais; os sinais do zodíaco). Compare com 2 Rs 23.5 onde a palavra hebraica `ãsh (Arcturo com seus filhos; na revisada como o Urso com seu trem, ambas as versões são incorretas nos termos). Veja ainda Isaías 13.10 e Amós 5.8.
Estes nomes e os doze “sinais” remontam a fundação do mundo. A tradição judaica preservada por Josefo assegura que a astronomia bíblica foi inventada por Adão, Sete e Enoque.
Evidências claras destas estrelas podem ser vistas em Gênesis 11.4 onde lemos que a torre de Babel tinha como objetivo alcançar o “topo” dos céus. A tradução está correta: “torre cujo tope chegue até aos céus”. A palavra, obviamente se refere aos signos do Zodíaco, como aqueles colocados no Templo de Denderá e de Esné no Egito. (N. Tradutor: Templos construídos no Egito na era ptolemaica e dos romanos. Sua forma atual foi concebida durante o período Ptolemaico-romano aparecendo na parte exterior a figura de Cleópatra e seu filho Cesariano; no templo de Esneh existem os desenhos dos signos do Zodíaco, mostrando o primeiro deles como Virgem e o último como Leão).
As “placas da criação” babilônicas referem-se as estrelas do Zodíaco, ainda que seu sentido primitivo pode haver sido perdido ou se corrompido. Aconteceu a mesma coisa com a mitologia grega, que é uma corrupção das informações verdadeiras que foram perdidas e deturpadas.
Precisamos ter em mente que as Escrituras como nos foram escritas foram-nos dadas por Moisés em 1490 a.C., portanto, durante 2.500 anos antes, as revelações da esperança que Deus deu em Gênesis 3.15 ficou preservada no nome das estrelas e seu agrupamento em “sinais” e “constelações”.
O agrupamento das estrelas é feito, geralmente, de maneira arbitrária. Nada existe na posição das estrelas que sugira o tipo de desenho que é feito ao redor delas. Os “signos”, sinais e as constelações foram estabelecidos e nomeados, e depois é que as pessoas passaram a fazer desenhos de seus agrupamentos. Portanto, a verdade foi esculpida e escrita nos céus onde a mão do homem jamais poderia tocá-la. Anos depois quando Israel tomou posse da palavra escrita, “as Escrituras da verdade”, não houve mais necessidade de se consultar os antigos escritos dos céus. Assim, o ensinamento original gradualmente desapareceu, e os ateus, partindo do que aprenderam na tradição oral envolveram-se em cosmologia e mitologias.
O Salmo 19 contém uma referência vívida desses dois livros de revelações. Por isso, ao lermos o Salmo percebemos uma mudança brusca de linguagem no versículo 7, mudança que ainda deixa perplexo a maioria dos comentaristas. O ensino é preservado na estrutura do Salmo da seguinte maneira:
1. 1-4 Os céus
1.1. 4-6 “Neles, o sol”.
2. 7-10 As escrituras
2.1 11-14 “Neles, teu servo”. (A mesma palavra hebraica do v 4).

Nesta estrutura cada linha dá ênfase à elaboração do projeto: Assim, na primeira metade todos os termos são literários, na última parte astronômica, fazendo as duas partes do Salmo se unirem harmonicamente.
Quanto ao sentido das palavras, há de se fazer referência ao próprio Salmo. Podemos notar aqui que a primeira parte não se refere às maravilhas da criação, mas à eloquência de seu ensinamento e revelação: eles “declaram”, contam ou narram (Gn 24.66; Sl 71.15); eles “proclamam” sem palavras; eles “manifestam” ou exibem (Gn 3.11; Sl 97.6; 111.6); eles anunciam ou profetizam “dia após dia”, “noite após noite”. A pergunta é: O que anunciam? Que conhecimento eles proclamam? Que glória anunciam?
A resposta está em Gênesis 3.15, a centralidade de toda profecia, isto é, a vinda daquele que haveria de sofrer, e que no fim haveria de pisar a cabeça da serpente, Satanás. E como abrir este livro? Como quebrar o ciclo dos signos do Zodíaco?
Através de “precessão dos equinócios” (marcha dos equinócios), o sol gradualmente muda sua posição um pouquinho a cada ano, até que, mais ou menos a cada dois mil anos ele começa o ano num signo ou sinal diferente. Isto foi previsto, e também foi previsto que as gerações que se sucedem não saberiam quando e onde o sol começaria o seu curso, e onde começaria o ensinamento deste livro celestial, e onde deveríamos abrir suas páginas. Por isso a esfinge foi inventada como um memorial. Tinha a cabeça de uma mulher, o corpo e a cauda de um leão, dizendo-nos que este livro escrito nos céus começou com o signo de “Virgem” e terminará com o signo de “Leão”. A palavra “esfinge” procede do grego sphingo, “unir-se” porque ela une as duas extremidades do círculo dos céus.
São doze os números dos “sinais”, o número do governo perfeito ou “ordem” conforme Gênesis 1.18. (N.T. Ver minha tradução sobre numerologia e o número 12). Foram divididos em três livros contendo quatro capítulos (sinais) cada; sendo doze a soma de 3x4, isto é, da verdade divina operando nos céus e na terra.
Cada livro, portanto, consiste de quatro sinais; e estes estão todos arranjados, seguindo uma mesma estrutura. Cada um possui uma introversão. A seguir veremos a ordem dos três livros:

Primeiro livro. O Redentor
(Sua primeira vinda)

A| VIRGEM. A profecia da semente prometida.
B| LIBRA. A obra do Redentor (graça).
B| ESCORPIÃO. O conflito do Redentor
A| SAGITÁRIO. O cumprimento da profecia.

Segundo livro. Os Redimidos
(Sua obra e seus resultados)

C| CAPRICÓRNIO. A profecia de libertação.
D| AQUÁRIO. Resultados da obra concedidos.
D| PEIXES. Resultados da obra usufruídos.
C| ÁRIES. Cumpre-se a profecia da libertação.

Terceiro livro. O Redentor
(Sua segunda vinda)

E| TOURO. A profecia do juízo vindouro.
F| GÊMEOS. Os redimidos reinam em glória.
F| CANCER. A possessão dos redimidos está a salvo.
E| LEÃO. A profecia do triunfo se cumpre.

Cada um dos quatro capítulos destes três livros consistem de três seções. E cada seção é representada por uma constelação. Existem assim trinta e seis (3x12) constelações, que juntamente com os doze sinais somam quarenta e oito (4x12) ao todo.
Podem ser descritos assim:
O primeiro livro. O Redentor
Os sofrimentos de Cristo
I. VIRGEM (A).
A profecia da semente prometida

1. COMA (O desejado). A mulher e a criança, o desejado de todas as nações (na maioria dos zodíacos antigos).
2. CENTAURO (com duas naturezas). A oferta pelo pecado rejeitada.
3. BOOTES. Aquele que vem com ramificações (ramos).

II. LIBRA (B).
A Obra de expiação do Redentor
1. CRUX. Suportando a cruz.
2. LUPO. A vítima é sacrificada.
3. CORONA.  A coroa é recuperada.

III. ESCORPIÃO (B).
O conflito do Redentor
1. SERPENTE. Atacando o calcanhar do homem.
2. OFÍDICO. O homem agarrando a serpente.
3. HÉRCULES. O poderoso homem vitorioso.

IV. SAGITÁRIO (A).
O triunfo do Redentor
1. LIRA. Louvor preparado para o Conquistador.
2. ARA. Fogo preparado para seus inimigos (Constelação austral perto do Escorpião, N.T.).
3. DRAGÃO. O dragão é expulso. 

O segundo livro. O Redentor.

I. CAPRICÓRNIO (C).
O resultado dos sofrimentos do Redentor
1. SAGITÁRIO. A seta de Deus é arremessada.
2. AQUILA. O que foi ferido cai.
3. DELFIM. O morto é ressuscitado.

II. AQUÁRIO (D).
Bênçãos garantidas
1. PEIXE AUSTRALIS. As bênçãos concedidas.
2. PÉGASO. As bênçãos vindas rapidamente.
3. CIGNO. O Abençoador realmente retornando.

III. PEIXES (D).
As bênçãos suspensas
1. A BANDA. O grande inimigo, “Ceto”.
2. ANDRÔMEDA. O redimido na escravidão.
3. CEFEU (N.T. Três Marias). O Libertador vindo para livrar.

IV. ÁRIES (C).
As bênçãos consumadas
1. CASSIOPÉIA. O cativo libertado.
2. CETO. (N.T. Idéia de um grande peixe) O grande inimigo é amarrado.
3. PERSEU. O “infrator” libertando.

O terceiro livro. O Redentor.
“A glória que se seguirá”

I. TOURO (E).
O Messias vindo para reinar
1. ÓRIOM. O Redentor surgindo como Luz.
2. ERIDANO. A ira surgindo como uma torrente.
3. AURIGA. Segurança para seus redimidos no dia da ira.

II. GÊMEOS (F).
O Messias como Príncipe dos príncipes
1. LEPO. O inimigo esmagado sob os pés.
2. CÃO MAIOR. A vinda do glorioso Príncipe.
3. CÃO MENOR. O Redentor exaltado.

III. CÂNCER (F).
As possessões dos redimidos do  Messias
1. URSA MENOR. O menor dos rebanhos.
2. URSA MAIOR. O campo e o rebanho.
3. ARGOS. A chegada do peregrino ao lar.

IV. LEÃO (E).
O triunfo consumado do Messias
1. HIDRA. A velha serpente destruída.
2. CRATER. A taça da ira é derramada.
3. CORVO. Os pássaros devorando a presa.

Pode-se observar que são utilizados nomes modernos, apenas com o propósito de uma identificação para o leitor. Alguns desses nomes foram dados por ignorância por aqueles que haviam perdido o sentido original dos doze signos e das trinta e seis constelações. 
Os nomes hebraicos e arábicos destes signos e das principais estrelas que neles se contêm estão cheios de verdades e de eloquência em seus ensinamentos que podem ser assim descritos:
O Primeiro Livro: O Redentor
“Os sofrimentos de Cristo”

VIRGEM. Aqui temos a estrela Al Zimach. No hebraico Zemach, o ramo. (Is 4.2; Jr 23.5,6; Zc 3.8; 6.12). Todas as demais estrelas têm sentidos cognatos (N.T. congênere, da mesma raiz).
COMA. O Desejado (Ag 2.7). Nm 24.17. (No Egípcio Shes-nu = o filho desejado).
CENTAURO. Al Beze, o desprezado (Is 53.3).
BOOTES. (Hebraico Bõ`, o que virá) Sl 96.13; no hebraico Arcturus (Jó 9.9 = ele virá). No Egípcio = Smat, aquele que governa.

LIBRA. Antigamente era chamado de O Altar (No acádio= Tulki). As duas estrelas brilhantes são hoje chamadas no arábico de Zuben al Genubi = o preço que é sem valor, e Zuben al Chemali= o preço que cobre.
CRUX. No hebraico kãrath, cortado (Dn 9.26).
LUPO. Nome no grego, Thera, uma besta. No latim, Victima. No hebraico, zãbah, morto, no sentido de sacrificado. No zodíaco de Denderá, sura, cordeiro.
CORONA. No hebraico `atãrãh, coroa real. No árabe Al iclil, uma jóia. Sua estrela maior é Al phena, aquele que brilha.

ESCORPIÃO. No hebraico `ãkrab (Sl 91.13). O nome no Cóptico é Isidis – o ataque dos inimigos; no árabe, Al aterah, a ferida daquele que virá. A estrela mais brilhante é Antares , no árabe ferimento, e no hebraico Lesuth, perversidade.
SERPENTE. A estrela mais forte é chamada no hebraico ´anak – envolvendo. Árabe, Al hey, o réptil.
OFÍDIO. Procede do árabe Afeichus –a presa da serpente. A estrela mais forte é Rãs al hagus – a cabeça daquele que prende. Outros nomes são Megeras, contendor; no zodíaco de Denderá é api-bau- o chefe que virá. Outras estrelas são Triophas, esmagado sob os pés; Saiph – esmagado; Carnebas, esmagado.
HÉRCULES. No zodíaco de Denderá é chamado de Baú – o que virá. No árabe Al giscale – o forte. A estrela mais forte é Rãs al Gethi, a cabeça daquele que fere.

SAGITÁRIO. No hebraico Keshet (arqueiro ou flecheiro) Gn 21.20. A estrela mais brilhante é chamada no hebraico de channu –o gracioso (Sl 45.2). No acádio é Nun-ki – príncipe da terra e no zodíaco de Denderá Pi-maere, graciosidade e Knem, ele conquista.
LIRA. (Sl 65.1. A estrela mais brilhante é Veja. Ele será exaltado. No zodíaco de Denderá é Fent-kar – a serpente governada. Originalmente era uma águia devido a confusão entre a palavra hebraica nesher e shir – cântico ou música.
ARA. Um altar de cabeça para baixo apontando para o Tártaro (Is 63.4-5). No arábio Al mugamra – o completador ou   consumador (Sl 21.9-12).
DRAGÃO. Fim do primeiro livro. O dragão é lançado por terra. CETUS conclui o segundo livro. Leviatã é amarrado. HIDRA conclui o terceiro livro. A velha serpente é destruída. DRACO ou DRAGÃO, pisado (Sl 91.13; 74.12-14; Is 27.1). No zodíaco de Denderá é uma serpente sob os pés de Sagitário e chamado de Her-fent, a serpente amaldiçoada. A estrela mais forte é Thuban – sutileza.

O segundo livro. Os redimidos

CAPRICÓRNIO. O bode da expiação. No zodíaco de Denderá e no de Esné chama-se Hu-penius, isto é, lugar do sacrifício. No hebraico Gedi, varão, ou Gãd`a, cortado. A estrela mais forte é Al-gedi – o varão. A outra é Deneb al gedi – o sacrifício do varão.
SAGGITA. O arco (Sl 32.8; Is 53.4-5). No hebraico Shamad ou shamen, - destruindo.
AQUILA. A águia, ferida de morte lançada por terra. A estrela mais forte é Al tair – ferida. Todas as demais têm o mesmo sentido.
DELFINO. Sempre um peixe cheio de vida, com a cabeça erguida. No hebraico Dãlaph – água que se derrama; No arábico Dalaph – o que rapidamente vem.

AQUÁRIO. No zodíaco de Denderá ele possui duas urnas. O peixe parece estar saindo de uma delas. No hebraico é Dali – urna de água ou balde (Nm 24.7). A estrela mais brilhante é Sa´ad al Melik – o registro do que se derrama. A outra é Sa´ad al Sund – aquele que vai e retorna (c/ com Is 32.1,2; 35.1,6; 41.18; 44.2-6; 51.3).
PEIXES AUSTRAIS (Piscis australis). O peixe do sul. No arábico Fom al haut –a boca do peixe. No zodíaco de Denderá – Aar, um córrego.
PÉGASO. Cavalo alado (com asas). No zodíaco de Denderá é Pe e Ka – Pèka ou pega. No hebraico Pelãh – o chefe e sus – cavalo. A estrela mais forte é Markab, no hebraico merkak, - retornando de um lugar distante.
CIGNO. No zodíaco de Denderá é Tes-ark – vindo de longe. Pássaro poderoso, que não morre como Áquila. A estrela mais forte é Deneb – o juiz. Também chamada de Adige – vôo suave. A segunda é Al Bireo – voando rapidamente. As duas outras estrelas são Azel – que vão e retornam rapidamente, e Fafage – que brilha gloriosamente.

PEIXES. O nome egípcio no zodíaco de Denderá é Pi-cot Orion, ou Pisces Hori – os peixes (isto é, enxame ou cardume de multidões) daquele que virá. Mo hebraico Dãgim, os peixes (Gn 48.16). O nome siríaco é Nuno – prolongado (isto é, em prosperidade) cf Isaías 53.10; Sl 33.12; 37.22; 115.14,15; Is 61.9; 65.23; 26.15; 9.3; Jr 30.19; Ez 36.10-11; 37.26). Observe os dois peixes: o chamamento terreal e o celestial (um peixe na horizontal e o outro na vertical olhando para cima). 113 estrelas de uma mesma magnitude. A estrela mais brilhante é Okda – unida. A próxima, tem o nome arábico de Al samaca – o que segura firme (Is 41.8-10).
A BANDA (TIRA). O nome egípcio é U-or – ele virá unindo os dois (Os 11.4) e rompendo o laço que prendia os dois ao seu velho inimigo CETO (o grande peixe).
ANDRÔMEDA. No zodíaco de Denderá é Set, que significa, sentada como rainha. Também Sirco – o acorrentado. A estrela mais brilhante é Al Phiratz – o que foi quebrado. A próxima dela é Mirach – a fraca. A outra mais próxima é Al amok (arábico) – derrubado por terra (Is 54.11-14; 51.21 a 522.3; r 14.17).
CEFEU. O rei. No zodíaco de Denderá é Pe-ku-hor – este vem para reinar. Cefeu e palavra grega cuja raiz vem do hebraico zemah -  o ramo. No etíope é Hyh – um rei. A estrela mais forte é Al Deramin – vindo rapidamente. A próxima é Al Phirk – o Redentor. A próxima Al Rai´- o que esmaga ou quebra (J r 31.1).
ÁRIES. O cordeiro ou ovelha cheio de vigor. Não está morrendo como em Capricórnio. No zodíaco de Denderá é Tametouris Ammon – Reino ou reinado de Amom. No hebraico é Tãlek – o cordeiro. Mo arábico o nome é Al Hamel – a ovelha. No siríaco é Amroo – o cordeiro, como em João 1.29.  O nome no acádio era Bar-Siggar – o altar edificado corretamente ou sacrifício de justiça. A estrela mais brilhante é El nath ou El natik – ferido ou morto. A estrela seguinte na constelação é Al Sharatan – ferido ou machucado. Compare com Ap 5.9-12.
CASSIOPÉIA. A mulher entronizada. O nome arábico é El seder – o liberto. No zodíaco de Denderá é chamada de Set – sentada como rainha. No arábico é Ruchba- entronizado. A estrela mais brilhante é Schedir – o liberto. A estrela seguinte é Kaph, no hebraico, o ramo, cf Is 54.5-8;62.3-5; Jr 31.3-12; Sl 45.9-17; Is 61.10-11).
CETO. O monstro marinho. O inimigo maior é acorrentado (Ap 20.10 e 20.1-3). O nome no zodíaco de Denderá é Knem – subjugado. A estrela mais brilhante é Menkar – o inimigo acorrentado. A estrela seguinte é Diphda ou Deneb Kaitos – lançado por terra. A outra estrela é Mira – Crocodilo (Jó 41.1-10; Is 51.22-23; 26.21 até 27.1; Sl 74.12-14).
PERSEU. O rompedor. No hebraico Perez. No grego Perses ou Perseu (Rm 16.12; Mq 2.12-13;). No zodíaco de Denderá é Kar Knem – aquele que luta e domina. A estrela mais brilhante é Mirfak – Aquele que ajuda. A estrela seguinte é Al Genib – que leva para fora. A estrela seguinte é Athik – que rompe.

Terceiro Livro

TOURO. O Messias vem para julgar. No caldaico o nome é Tor. Por isso no arábico se chama Al Thaur; no grego Tauros. No latim, Taurus. O nome mais comum no hebraico é Shur – vindo e julgando, e também se chama Re`em – pré-eminência. A estrela mais brilhante é Al Debaran – líder ou governador. A estrela seguinte é El nat, ferida ou sacrificada. O grupo Plêiade é Kimah – acumulação ou pilha (monte de coisa). Jó 9.9; 38. 31-32; Am 5.8. A estrela brilhante é Al Cione – o centro. No hebraico e no siríaco é Sucote – cabanas. Um outro grupo de estrelas, Hyades – os congregados (Dt 33.17;Sl 44.5; Is 13.11-15; 34.2-8; 26.21).
ÓRIOM. O príncipe que virá. A luz irrompendo através do Redentor. No zodíaco de Denderá é Há-Ga-t – Este é aquele que triunfa. O mesmo que no hebraico ´Or, luz (Oarion), ou rompendo como a luz (cf Jó 9.9; 38.31 e Am 5.8). Outra palavra para a estrela no hebraico é Kesil – o que é forte, traduzido como Óriom nos textos bíblicos acima. A estrela mais forte é Betelgeuz – a vinda do ramo (Ml 3.2). A estrela seguinte é Rigel ou Rigol – o pé daquele que esmaga. A outra estrela é Bellatrix – que destrói sutilmente. Outra estrela da constelação é Al Nitak – o que foi ferido. Existem muitas outras estrelas com nomes semelhantes e com o mesmo significado (Is 42.13-14; 60.1-3).
ERIDANO. O rio do julgamento. No zodíaco de Denderá é Peh.ta-t – a foz ou boca do rio. A estrela mais forte é Achernar – o afluente ou o pós-rio. Assim, comparado a outros nomes significa o que flui (para as regiões baixas do sul). Dn 7.9-11; Sl 97.3-5; 50.3; Hc 3.5; Is 30.27-33; Na 1.5-6; Is 66.15-16; 2 Ts 1.7-8.
AURIGA. O pastor (Is 40.10-11; Ez 34.22). Auriga – carruagem. A estrela mais forte é Alioth – cabra. O nome no latim moder é Capella, cabra. A estrela seguinte é Menkilinon – rebanho de cabras: acolhidas para que nunca mais se percam (Jo 10.11). No zodíaco de Denderá, o pastor carrega um cetro (Trun), tendo uma cabra no topo e uma cruz na base (Ml 4.1-4; Sl 37.38-40).
GÊMEOS. (GEMINI).  No zodíaco de Denderá é Clusus ou Claustrum Hori – o lugar daquele que vem. O antigo nome cóptico era Pi-Mahi – unidos. No hebraico é Thaumim – dobro. A raiz usada em Êxodo 26.24 (costurados juntamente). A estrela mais brilhante é Apolo – juiz ou governador. A estrela seguinte é Hércules – vem para trabalhar e sofrer. Outra estrela é Al Henah – ferido, machucado (Is 4.2; 32.1-2; Jr 23.5-6; 33.14-15).
 LEPO. (O inimigo esmagado sob os pés). No zodíaco de Denderá o nome é Bashti-beki – caindo por terra em confusão. Arato afirma: “Expulso para sempre”. A estrela mais brilhante é Arnebo – o inimigo daquele que vem. Outras estrelas são Nibal – zangado; Rakis – amarrado; Sugia – o enganador (Is 63.3-4).
CÃO MAIOR. Sirius – O príncipe. No zodíaco de Denderá é Apes – a cabeça. Mo planisfério Persa é conhecida tem a figura de um lobo, que no hebraico é Zeebe. A estrela mais forte é Sirius – Príncipe. No pérsico é Tistar – o chefe. A estrela seguinte é Mirzam – príncipe. Outra estrela é Wesen – que brilha e outra estrela é Adhara – o glorioso. Existem muitas outras estrelas com nomes semelhantes (Is 9.6; 55.4; Dn 8.23,25).
CÃO MENOR. O segundo cão. No zodíaco de Denderá é Sebak – conquistando, vitoriosamente. A estrela mais brilhante é Procyon – Redentor. A outra é Gomeisa – que no arábico é o que carrega o peso pelos demais. Existem nomes semelhantes de outras estrelas (Is 49.24-26; 59.19-20; 53.12).
CÂNCER. O caranguejo. As possessões do Messias são rapidamente guardadas. No zodíaco de Denderá e no de Enesh é um besouro sagrado. O nome dado ali é Klaria – curral. No arábico é Al Sarta´n – aquele que segura ou prende (Gn 49.11). O nome grego é Karkinos – envolvendo em círculo. O mesmo sentido tem o nome latino Câncer, que vem do arábico Khan – hospedaria e Ker, ou Cer – colocando no círculo. O nome no antigo acádio é Su-kul-na – o que agarra ou que prende uma semente. O cardume brilhante é chamado de Praesepe – multidão de filhos. A estrela mais brilhante é Tegmine – segurando. Outra estrela é Acubene – a proteção ou cobertura. Outra estrela é Ma´alaph – reunindo os milhares. Duas estrelas no norte e ao sul de Praesepe são Asselus norte e  Asselus sul. As estrelas se conectam com Câncer que é o símbolo de Issacar (Gn 49.14; Nm 2.5).
 O propósito de expor o texto acima não é o de induzir o leitor a se tornar um astrólogo fazendo previsões a partir dos acontecimentos nos céus, mas o de expor sabedoria para discernir atentamente os acontecimentos bíblicos. Não é pecador usar a astronomia ou o estudo dos astros para entender e ou ter alguma luz sobre determinado texto bíblico, mas é pecado usar o conhecimento dos astros para fazer predições. E é exatamente isso o que vem ocorrendo com os astrólogos evangélicos e os acontecimentos que ocorrerão no mapa celeste no dia 23 de setembro.
Se o leitor observou o livro escrito nos céus que expus acima notará que os acontecimentos do signo ou sinal de Virgem já ocorreram e não há como ligar novamente a virgem aos acontecimentos de 23 de setembro. Fica a dica.  
Na constelação de VIRGEM os acontecimentos ocorreram no passado. Aqui temos a estrela Al Zimach. No hebraico Zemach, o ramo. (Is 4.2; Jr 23.5,6; Zc 3.8; 6.12). O ramo brotou. Cristo. Todas as demais estrelas têm sentidos cognatos (N.T. congênere, da mesma raiz).
COMA. O Desejado (Ag 2.7). Nm 24.17. (No Egípcio Shes-nu = o filho desejado).
CENTAURO. Al Beze, o desprezado (Is 53.3).
BOOTES. (Hebraico Bõ`, o que virá) Sl 96.13; no hebraico Arcturus (Jó 9.9 = ele virá). No Egípcio = Smat, aquele que governa.
Digo isto, porque tem muita gente desesperada com as predições dos astrólogos evangélicos sobre o dia 23 de setembro. Ora, uma conjunção celeste pode indicar algum acontecimento, e, quando isto acontece é melhor estudar as escrituras e aprofundar-se no conhecimento da palavra de Deus do que no conhecimento das estrelas!













quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ah! Porto Alegre feliz!

João A. de Souza Filho
Junho de 2017

A igreja de Porto Alegre já teve dias melhores. Sim, eram os tempos em que pastores de diversas denominações se reuniam uma vez ao ano para almoçarem juntos e trabalhar pelo bem da cidade. Juntos estavam os Episcopais, os Metodistas, os Batistas, os Batistas Independentes; as Assembleias de Deus, o Brasil para Cristo, a igreja do Evangelho Quadrangular, para citar apenas as maiores da época e até mesmo a ACM (Associação Cristã de Moços) participava dos encontros. Cada igreja “bancava” o almoço!

Ainda no final da década dos anos de 1970 e início dos anos 80 jovens de todas as denominações se reuniam uma vez por mês no templo Luterano da Igreja da Reconciliação no centro da cidade, domingos à tarde. Celebrávamos a unidade do corpo de Cristo. Tivemos encontros de pastores em Tramandaí com a Visão Mundial, missão fundada pelo Dr. Bob Pierce. E chegamos a ser levados gratuitamente pela Visão Mundial para um encontro nacional em Valinhos, no Hotel Fonte Sônia. Que tempos! Éramos poucos e pobres e precisávamos uns dos outros! Agora somos maiores e ricos!
Este tempo terminou lá pela metade da década dos anos 1980. Foi então que passamos a nos reunir semanalmente no templo da Igreja Batista Filadélfia para orar e estudar a Palavra de Deus. Neste tempo progredimos bastante. Tempo este em que apoiamos por duas vezes a vinda do Navio Logos II; campanhas evangelísticas com Luis Palau; Reinhard Bonk; Morris Cerullo, e outros movimentos e, juntos passamos a encher o centro de Porto Alegre celebrando o nome de Jesus no que se conveniou chamar de Marcha para Jesus que consta agora do calendário de eventos do município. Faz 30 anos que todas as quartas-feiras um pequeno grupo de pastores persevera em andar juntos reunindo-se na Igreja Batista Filadélfia! Samuel Espíndola é incansável em busca da unidade dos pastores.
Hoje, parece que não precisamos mais dos nossos irmãos pastores de outras congregações de Porto Alegre! Cada pastor recolheu seu rebanho ao seu redil, popularmente chamado de curral. Gastam-se telefonemas, convites, apelos a todos para que se reúnam novamente para orar pela cidade. Já não me refiro em fazer coisas juntos, mas pelo menos orarmos juntos!
Para vergonha nossa estava olhando um vídeo de uma reunião de oração em Lagos, Nigéria em que um milhão e quinhentas mil pessoas se reúnem para orar num pavilhão de 1.500 m de comprimento, por 600 m de largura, isto é, como se toda a população de Porto Alegre se reunisse num só lugar para orar. E, ao contrastar Lagos na Nigéria com Porto Alegre percebi o quanto da simplicidade de Cristo perdemos; e como nós pastores fechamo-nos em torno dos interesses de cada grupo e sequer nos reunimos para orar!
Se existe um Estado do Brasil em que os pastores deviam se dar as mãos; orar juntos e juntos andar em unidade para derrotar as forças positivistas e comunistas é o Rio Grande do Sul. A violência que domina o Estado tem de ser detida, primeiramente pela ação, oração e ministração da Palavra dos pastores!
Sempre apresentamos nossas escusas; apontamos nossas divergências, enquanto deveríamos ter como Pessoa central da igreja o Senhor Jesus Cristo!

Avante, colegas! Voltemos ao Senhor! Nossa força está na unidade em Cristo!
   

sábado, 3 de setembro de 2016

O neopentecostalismo e a farsa evangélica

João A. de Souza Filho
Setembro de 2016







A água ungida (adquirida na torneira), o santo óleo de Israel - comprado no mercado da esquina - a vassoura ungida, a caneta da prosperidade e o sabão ungido são algumas das muitas mentiras dos neopentecostais!

Este artigo é longo, mas precisa ser lido como forma de reflexão da vida da igreja. A dinâmica da vida e a influência das redes sociais tiraram das pessoas a capacidade de refletir e de ler textos longos. O Twitter nos impôs frases com 140 caracteres. O Facebook lhe permite ler umas poucas frases e até as pregações dos pastores se resumem hoje a mero vinte minutos de exposição bíblica – quando as há.
Ao começar este artigo preciso afirmar uma coisa: Sou pentecostal de raiz. Comecei a frequentar a escola dominical com meus irmãos, ainda pequenino, assim que mamãe se converteu ao evangelho puro de Jesus Cristo. Corria o ano de 1952. A Assembleia de Deus era uma igreja pura em sua doutrina. Doze anos depois eu ingressava no Instituto Bíblico das Assembleias de Deus em Pindamonhangaba aprendendo aos pés de João Kolenda Lemos, Tio João Pedro Kolenda, João de Oliveira, missionária Dorris Lemos e Elsie Stroll além das visitas periódicas de Orlando Boyer de quem obtive meus primeiros livros que ele editava com tanto ardor.
Desde então nunca parei de pregar e de anunciar o Evangelho. E lá se vão mais de 52 anos de vida ministerial! Ao longo dessas cinco décadas a denominação pentecostal, uma das mais antigas – porque a Congregação Cristã chegou um pouco antes ao Brasil – mudou. Parece um paradoxo: Tornou-se mais culta teologicamente através de seus seminários e dos excelentes livros editados pela CPAD, financeiramente mais rica, intelectualizada e mais neopentecostal. Esta última qualificação, a do neopentecostalismo é paradoxal, contraditória e difícil de ser analisada: Como uma igreja conseguiu se desviar tanto da ortodoxia cristã!
Não se tem notícias de que a Congregação Cristã do Brasil tenha se desviado de rota – afinal, não convivo entre aqueles irmãos e nem sou aceito como irmão em Cristo da parte deles – mas, a Assembléia de Deus se desviou da rota doutrinária. A literatura oficial da CPAD diz uma coisa; a prática nas igrejas da mesma denominação é outra.
O neopentecostalismo cresceu na seara pentecostal como joio no meio do trigo. E a cada dia o joio é mais vistoso e mais evidente abafando o trigo da fé. 
 No ano de 2008 escrevi que somente a partir do novo milênio seria possível perceber a infiltração de elementos na igreja deixando-a mais universalizada e neopentecostalizada. Houve uma mudança de rota e de estilo de vida, conforme o leitor verá a seguir: 
1. No campo doutrinário. Uma descaracterização da ortodoxia, isto é, um relaxamento ou pulverização das regras de fé, antes defendidas a “unhas e dentes”. Aspectos doutrinários, ou de ensinos ficaram pulverizados com a pluralidade doutrinária, pluralidade de pensamento e com a secularização da teologia. Denominações pentecostais históricas como as Assembléias de Deus tornaram-se pluralistas sob vários aspectos. Algumas aceitam o divórcio, outras o repugnam – para citar um exemplo. Algumas têm grupos de danças em sua liturgia, outras cultuam a Deus como faziam 80 anos atrás. Até mesmo na teologia existem diferenças. Hoje existem igrejas pentecostais sem quaisquer manifestações que a caracterizavam como pentecostal.
Liturgia. Uma pulverização da liturgia. A igreja ao longo dos séculos sempre introduziu novos elementos em sua liturgia, nestes últimos anos, porém, a igreja submeteu sua ortodoxia litúrgica a novas influências, algumas igrejas até desprezando a hinódia tradicional e centenária que regia os cultos e a vida da igreja. Se por um lado os novos elementos litúrgicos, como bandas, 40 ou 50 minutos de cânticos, danças e teatros reativaram os cultos, por outro, certas características foram lentamente desaparecendo, como a importância da pregação, reverência e ordem nos cultos.
Danças. Esta pulverização – até certo ponto com perda de identidade – trouxe para os púlpitos e palanques a entrada de grupos de danças, ou adoração artística. Algumas igrejas vêem nisto uma necessidade; outras utilizam grupos de danças apenas em festas ou celebrações especiais. A maioria faz das danças uma rotina igualando-as aos cânticos e orações. Alguns vêem perigos neste novo elemento que poderá descaracterizar o culto a Deus, tornando-se um culto a algum “deus”.
Instrumentos musicais. O uso de apenas um trio de instrumentos – bateria, guitarra e baixo – o desprezo ou alienação dos pianistas e organistas em troca de tecladistas que apenas tocam cifras, e não melodias trouxe para os cultos uma liturgia limitada a estes instrumentos – sem o toque litúrgico tão comum ao som do órgão e do piano, de instrumentos de sopro e outros de cordas, como o violino e seus semelhantes. Agregue-se a isto a infiltração de músicas e letras repetitivas, sem rimas, métrica e poesia. Além dos mantras que levam as pessoas a alucinações mentais, confundidas com experiências espirituais. Etc.
Mensagens de auto-ajuda. A falta da pregação expositiva bíblica em troca de mensagens apenas tópicas; o desaparecimento das pregações doutrinárias em troca de mensagens positivistas e de auto-ajuda e a falta de conhecimento bíblico vêm dominando até mesmo o púlpito das igrejas históricas. Questionam alguns se o verdadeiro cristão precisa de mensagem de auto ajuda; se precisa ser embalado em sua psique, em sua alma, ao som de novos acordes. A mensagem de auto-ajuda ofuscou a mensagem da cruz. Certas pregações em cultos de algumas Assembleias de Deus não passam de palestras motivacionais que não trazem convicção de pecado, arrependimento e conversões, mas um senso de felicidade, paz e consolação emocional.
O avivamento das décadas de 60-70 entre Batistas, Presbiterianos, Congregacionais, Luteranos e Anglicanos trouxe o povo de volta à palavra de Deus, como todos os avivamentos bíblicos da história o fizeram, no entanto, as denominações se insurgiram contra o mover do Espírito Santo nesses mesmos grupos e abriram terreno para o surgimento das comunidades cristãs e grupos similares. O atual movimento – que não é avivamento – não está levando o povo de volta à palavra, mas ao sensacionalismo, à busca de prazer, à prosperidade e a individualização da fé.  São coisas que devem causar preocupação, pois que afetará as próximas gerações.
A liturgia também foi afetada pela influência dos pregadores televisivos que deixaram o povo exigente quanto a pregações, levando-o a desprezar as mensagens expositivas, difíceis de serem pregadas na televisão pela limitação do tempo, mas tão necessárias para o entendimento da palavra de Deus.
Conseqüentemente ouvem-se sons de uma exacerbação da mística e da fé que passaram a ter preeminência sobre a Palavra de Deus. A busca pela renovação espiritual sem o prumo da palavra de Deus vem levando os crentes a desprezar o ensino da cruz e do sofrimento na vida cristã. Cruz e sofrimento ficaram no passado da igreja, a nova “onda” espiritual é a de amar a prosperidade e o sucesso. Até mesmo pregadores antigos tidos como profetas de Deus aderiram a esta nova mensagem, e ficam horas inteiras levantando dinheiro e tirando ofertas do povo com a mensagem da prosperidade, em que somente prospera o pregador... a ganância de Balaão não tem limites. Os gananciosos são pastores e líderes que convidam pregadores “sapatinhos de fogo”, artistas e jogadores famosos, pois que os pastores também estão afetados pelo espírito de Balaão e querem lucrar com este tipo de ministério...
O Esoterismo evangélico. A falta da palavra de Deus como mensagem expositiva vem levando sutilmente os crentes a viverem um privatismo, o pluralismo e o secularismo como normas da vida cristã. Três temas mui bem dissecados por Os Guines na década dos anos de 1980. O privatismo leva o cristão a viver em torno de si mesmo; o pluralismo leva-o a aceitar elementos de filosofia e a idéia de aceitação de tudo e de todos na igreja; e o secularismo invadiu a teologia com a filosofia e com os conceitos da psicologia moderna na educação e no ensino das crianças e dos adultos.
A ausência da palavra de Deus vem formando uma igreja com comportamento e práticas esotéricas que dá poderes a elementos místicos, em nada se diferenciando do mundo e das religiões místicas ao seu redor. O esoterismo evangélico concede poderes aos óleos “consagrados”, a água e ao sal, ao sabão, fronhas, lençóis e, a criatividade para se ganhar dinheiro não tem parâmetros na história da igreja cristã. A mensagem subliminar é que o poder de Deus se limita a objetos e a práticas do Antigo Testamento.  
A falta de uma exegese bíblica verdadeira permitiu o surgimento de uma igreja com práticas judaizantes, celebração de festas judaicas, a observação de dias e datas especiais dos judeus, roupas, a bandeira de Israel hasteada nos púlpitos, confundindo o natural com o espiritual, e peregrinações a lugares históricos, considerados “santos” em que tais práticas e guardas de datas passaram a ser a essência da fé, o propósito da igreja, acima da própria palavra de Deus. Escrevo sobre isto num capítulo de meu livro A Arte da Guerra Espiritual: Guerra espiritual esotérica. 

Ênfases em modelos e não na vida.

A ênfase em modelos de crescimento fatiou a denominação. Igrejas existem que optaram por seguir o modelo do G-12, outros do M-12, ainda outros do MDA num desespero frenético para conter a estagnação espiritual. Ora, quando se deixa de lado a ação do Espírito Santo, a pregação pura e simples da Palavra de Deus e a prática dos dons espirituais é preciso sair à cata de soluções para manter a igreja crescendo, o dinheiro entrando e o nome. Ah! O nome! Sempre em maior evidência do que o nome do fundador, nosso Senhor Jesus Cristo!
Quando uma igreja se move na ação do Espírito Santo qualquer método de crescimento funciona, porque apenas canaliza o que o Espírito vem realizando; mas, quando se perde a nuvem que vai adiante do povo, a congregação do Senhor fica peregrinando sem rumo no deserto.
Hoje, muitas denominações se perguntam como Isaías: “Ó Senhor, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Volta por amor dos teus servos...” (Is 63.17). E o próprio profeta responde: “Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles” (Is 63.10). Deixe-me dizer uma coisa que é muito evidente a todos: O povo está seguindo seu próprio caminho. Os líderes se desviaram e com eles as igrejas que dirigem!
O surgimento de denominações não ortodoxas na doutrina, a que chamamos de neopentecostalismo, dispensa o uso do texto do Novo Testamento, preferindo pregações baseadas em elementos do AT – desprezando o ensinamento apostólico ou o didaskalós das epístolas. O surgimento e o rápido crescimento de denominações neopentecostais-esotéricas, não ortodoxas na doutrina, aliados ao poder de comunicação pela mídia trouxe alguns resultados que poderão ao longo dos anos serem maléficos. A seguir, convido o leitor a analisar comigo alguns desses possíveis malefícios:
1. O primeiro deles é o espírito de competição. Grupos outrora ortodoxos passaram a cultuar e a ter reuniões semelhantes aos grupos neopentecostais, para angariar novos membros. Especialmente as reuniões de libertação, uma marca registrada dos pentecostais clássicos; agora, esses irmãos assimilaram e imitam de maneira grotesca os neopentecostais visando obter maior freqüência, assiduidade dos fieis e mais dinheiro. As antigas reuniões de oração e libertação que serviram de elementos-chave no crescimento da igreja, cederam ante o espírito de competição a esses grupos. As reuniões de libertação em que a ênfase era a oração, a pregação e a novidade de vida cederam lugar ao ensino da prosperidade, da mensagem que leva o pecador a se sentir bem, amado por Deus, podendo viver a fé de forma bem pessoal, sem pressão nem compromisso. 
2. Afrouxamento da disciplina e da doutrina. O segundo resultado maléfico é o afrouxamento do ensino, da sã doutrina apostólica, que deve ser interpretado como ensinamento, estilo de vida, ou o didaskalós, que os apóstolos tanto enfatizavam. Uma vida de ordem na família e na sociedade; um ensinamento sobre o relacionamento do cristão com o mundo ao seu redor. Ética. Caráter. Estilo de vida santo. Surgiu, consequentemente, uma nova safra de cristãos que sequer pode ser comparada aos cristãos da geração passada. A geração de cristãos honestos, comprometidos com a fé, de bons empregados e bons patrões; de famílias ordeiras e de lares disciplinados vem sistematicamente desaparecendo. Em seu lugar surgiu uma geração que vem transmitindo uma péssima imagem do que é ser cristão, de Deus, de Jesus e da Bíblia. Surgiu, em decorrência uma geração de cristãos desacreditada perante a sociedade e autoridades.
Hoje, se uma igreja ousar disciplinar um membro irá parar nas barras da justiça e o membro ofensor encontrará do outro lado da rua um pastor lhe acenando por cargos.
3. Enriquecimento denominacional. O terceiro resultado nada agradável é o que prega a necessidade de enriquecimento denominacional, o enriquecimento entre os membros e a conseqüente construção de templos e prédios grandiosos, frutos de um ensinamento megalomaníaco.
Paralelamente surgiu uma nova classe de evangélicos descomprometidos com a igreja local, afiliados a toda sorte de organizações para-eclesiásticas. Surgiu a vulgarização do evangélico. A igreja parou de ser renovada na essência da vida cristã, entrou num ciclo de romantismo espiritual, de experiências místicas que em nada alterou o estilo de vida dos crentes. Estes passam a falar em línguas, a caírem no chão, a entoarem louvores, mas sem mudança interior de vida. Questão de caso de estudo para os teólogos. A igreja está passando por uma metamorfose negativa, isto é, em que a verdade deu lugar ao sofisma; em que o estilo de vida de caráter não se faz mais necessário como regra e conduta de fé. Desapareceram os cultos de disciplina, conseqüência normal de uma igreja fraca.
4. O surgimento de cristãos de fé plural. Este novo estilo trazido pelos neopentecostais e aceito de braços abertos pelos pentecostais clássicos fez surgir na sociedade uma nova classe de pessoas e de cristãos que, além da falta de compromisso com a igreja na localidade trouxe a idéia de que a igreja é mais uma opção entre as tantas existentes na sociedade quando se quer solução a algum problema da vida. Durante a semana o novo cristão recorre aos cultos das igrejas, tanto quanto busca na mesma semana um centro espírita, uma sessão de umbanda; uma missa católica, a sessão descarrego da Universal ou uma visita a alguma seita oriental.
O resultado é que, somados e multiplicados os malefícios, estes acabarão por formar nos próximos anos uma igreja fraca, sem conteúdo teológico, apesar da multidão de fiéis, insípida e sem a graça divina. Se realmente fossemos tantos assim, o Brasil seria diferente. Talvez sejamos muitos, mas sem sal e sem sabor.
5. A contra-reação dos membros das igrejas.  O neopentecostalismo provocou uma reação contrária em outros segmentos da igreja. Os que buscam em Jesus a essência da fé; os que querem viver o eterno propósito de Deus; os que se envergonham diante de Deus e dos homens da atual situação espiritual da igreja, passaram a abominar tudo o que soa a evangélico, ao que é cristão, formando grupos em busca do fundamentalismo apostólico. São pessoas que não querem se identificar com nenhum grupo evangélico, e dizem não ser evangélicos; desprezam qualquer tipo de liturgia, reúnem-se em qualquer lugar e se fecham em torno de si mesmos e de sua doutrina. São exclusivistas em suas cidades; não participam de eventos ou de celebrações, e receiam e temem tudo o que vem da parte da atual igreja, a que eles chamam de grande Babilônia.
E provocou também uma reação negativa nas pessoas que não são evangélicas. O que ouvem pela mídia e em conversas de vizinhos os remete para longe da fé. Vejo isso com clareza em meus vizinhos com os quais mantenho sadia amizade no bairro onde resido. Todos me conhecem como pastor João. Caminhamos e praticamos esportes juntos e vejo a reação deles quando falam desses grupos neopentecostais.
O lado positivo dos grupos reacionários que querem distância dos grandes conglomerados denominacionais e de denominações neopentecostais é que podem ter dado início à formação de um remanescente fiel a Deus – com ou sem intenção de sê-lo; da extirpação da mentalidade cultural da adoração em templos e grandes auditórios, da vida cristã simples e sem religiosidade exterior, reunindo-se em casas, garagens e praças. A ausência de elementos exteriores – vestimentas, linguagem evangeliquês, clichês próprios de crentes – aliado ao profundo estudo das Escrituras, à vida de retidão, de santidade e de evangelização podem contribuir para o equilíbrio da balança espiritual da igreja. O lado negativo é que tais grupos tendem a não influenciar politicamente um bairro ou a cidade por achar que o “mundo jaz no maligno”, desprezando qualquer compromisso visível com as necessidades da sociedade, por não marcarem sua presença com um local de culto visível, através de templo ou de salão de reuniões no bairro. Isto é, por não terem um local próprio ou alugado para suas reuniões a multidão desses novos crentes, ou discípulos não é conhecida da sociedade.
Deve-se admitir que a presença de um espaço físico reservado para a celebração de cultos e de encontros exerce também grande influência sobre as autoridades e população de uma região. 

Conclusão a esta parte:

A igreja brasileira perdeu seu rumo, está sem Norte, sem direção, por haver desprezado a bússola, que é a palavra de Deus, comprometendo-se com os sistemas políticos, culturais e imorais da nação. As grandes lideranças denominacionais vivem cevando seus títulos honoríficos, participando de esquemas políticos que fariam Paulo, o apóstolo corar de vergonha; outrora chamados por Deus para fazerem a diferença em sua geração, deixaram de participar das reuniões na sala do trono de Deus, quando ouviam do Eterno as diretrizes para a igreja, e passaram a participar de conchavos políticos, carregando consigo, ao lado da Bíblia, o Príncipe de Maquiavel. E, sem perceber seguem os conselhos de Maquiavel, imaginando que o Príncipe tem razão, nas questões políticas. Assim, usam os conselhos de Maquiavel na política e os conselhos da Bíblia na igreja. Coxeiam entre dois pensamentos, e, sem se aperceberem deixaram de freqüentar a sala do Trono do Altíssimo, nosso Senhor e Rei, para se assentarem com aquele que faz oposição a Deus.
Cristãos ou pastores políticos que assim se comportam não se posicionam abertamente em questões como aborto, divórcios, homossexualismo, injustiças sociais etc. por temerem o povo e seus pares. Em Brasília ou nas Assembléias Legislativas de seus Estados, da mesma maneira que faziam na administração de suas igrejas, pensam em si mesmos e no futuro financeiro de suas famílias. 

Neopentecostais: Igreja ou fraude? 

Existem dois tipos de igrejas neopentecostais – igrejas pentecostais novas, este é o sentido aqui. O primeiro grupo abrange grupos que saíram das igrejas históricas nas décadas de 60-70. Fazem parte deste grupo igrejas tradicionais que se pentecostalizaram, e são, em essência compostos de novos pentecostais como os novos Batistas, algumas raríssimas Comunidades Cristãs – porque a maioria das que se chamam Comunidades não passam de pequenas igrejas neopentecostais na doutrina e na prática. No entanto, o termo neopentecostal foi mudando de sentido e sendo compreendido apenas a certos grupos heréticos-esotéricos-endinheirados, todavia, todas as novas igrejas pentecostais, de alguma forma podem ser consideradas neopentecostais, ainda que não tenham a mesma índole massificadora dos que formam o segundo grupo: Universal, Poder de Deus, Show da Fé, Plenitude do P$oder de Deus etc.
As práticas desses novos movimentos, sua liderança e seu sistema de governo indicam um neopentecostalismo doentio que não se encaixam na sã doutrina apostólica.
Sete características de lideranças neopentecostais:
A seguir colhi sete características dessa liderança atual – que não é apenas da liderança neopentecostal, mas também de muitos líderes de igrejas pentecostais históricas.
1. Autoritarismo. Tais líderes advogam a si o direito de ter a palavra final em questões doutrinárias e de práticas cristãs. Creem que podem criar novos padrões de ensinamento e neles atrelar a congregação. Era assim também no passado quando pastores de denominações pentecostais decidiam o que o povo devia usar, o que pensar e em como viver. Felizmente algumas denominações amadureceram e abandonaram tais práticas que vêm sendo adotadas com grande ardor pelos novos líderes pentecostais. As pessoas são orientadas a viverem conforme o pensamento do líder e de maneira a agradá-lo. A “doutrina” ou ensinamento apostólico foi por eles aperfeiçoado, porque tirou do povo o direito à vida e de decidir o que fazer e de como viver. 
2. Dominadores do rebanho. Hoje os apóstolos, bispos, presbíteros e pastores – não importa o título que ostentem – decidem se os membros devem celebrar o Natal, os alimentos que devem comer, as festas que podem participar, os DVDs que devem assistir e quais igrejas ou congregações podem visitar.
Tal autoritarismo não é próprio apenas de igrejas neopentecostais, mas também de alguns que se dizem “igreja” sem nome; comunidades cristãs etc. que mantêm sob regras rígidas o comportamento e o estilo de vida de seus membros, ou discípulos. É possível ver este autoritarismo em várias denominações também. Nunca ouse pensar ou agir de maneira que contrarie seu líder! O líder é o novo paradigma ou modelo de fé a ser seguido, e não os modelos da Bíblia.
3. Ganância financeira e luxúria. A ostentação de riqueza, o ganho fácil e a confortável vida movida a aviões particular, helicópteros e festas não é própria apenas dos neopentecostais, mas também de outros segmentos da igreja – uma dessas igrejas, até bem tradicional, em que seu líder se locomove para a casa da montanha de helicóptero, enquanto exige que seus membros nem televisão possuam!
Enquanto milhares de obreiros residem em casas modestas no meio de sua comunidade, ao nível do povo que pastoreiam, vivendo na simplicidade, buscando o mínimo de conforto, outros se afastam do meio do rebanho e passam a viver em condomínios inacessíveis ao povo. Sua congregação não tem acesso a casa deles – diferentemente de quando nossa casa estava aberta aos irmãos. Essa é a nova cara da liderança eclesiástica da igreja brasileira.
4. Usam o púlpito como arma de ataque. Por trás do carisma que lhes é peculiar tais ministros fazem o que querem com o povo; se justificam, demonstram humildade e santidade e aproveitam para atacar sutilmente os que lhe desobedecem as ordens. Frases como “aconteceu tal coisa porque não ouviu o homem de Deus” é comum ouvir de seus lábios. É a justificação de uma aparente santidade. As pessoas precisam vê-los como homens de Deus, líderes espirituais íntegros; no púlpito diante de seu povo riem, choram, profetizam, pulam, gesticulam e pregam mensagens de prosperidade. Assim, conseguem encobrir do rebanho suas verdadeiras intenções, para que este não se interesse em saber como é a vida deles no seu dia a dia.
E grande parte dos crentes defende o estilo de vida de seus líderes, e se dobra perante eles como faziam os escravos diante de seus senhores.
5. A sacerdotização do ministério. Alguns desses novos líderes criaram a nova casta de “levitas” que são os que cuidam do louvor da igreja, mas criaram também a “família sacerdotal” que é composta do líder e de seus familiares, num atentado grotesco ao verdadeiro sacerdócio de Jesus Cristo. Muitos, ainda que reneguem publicamente tal conceito, ostentam-no no ensino aos seus líderes, isto é, estes são orientados a considerá-los sacerdotes de Cristo a serviço do povo. “Nós somos sacerdotes” de Deus para cuidar do rebanho, dizem, quando biblicamente toda a igreja é povo sacerdotal!
6. Visão terreal do reino de Deus – seu reino particular. A nova liderança dos neopentecostais tem outro foco que não é o reino de Deus futuro, mas o reino deles, agora. Eles têm prazer nas coisas do mundo. Seu império particular e o império de sua denominação ou de suas comunidades constituem o reino deles na terra. Enquanto todos os demais trabalham para a vinda do reino, esses novos líderes creem que estão no reino, e que já são príncipes de Cristo aqui na terra. E para viver como príncipes, formam seu séquito de seguidores que os servem humildemente. Enquanto Jesus apontava para a chegada iminente do reino de Deus, a nova liderança da igreja crê que vive o reino, aqui e agora!
Por isso intrometem-se na política, pensando que por ela governarão na terra e trarão o governo de Cristo aos homens. E, da mesma forma que entram na política e buscam para si títulos políticos, se prostituem com o sistema e podem ser vistos agradecendo a Deus pelas graças recebidas, como no caso dos deputados evangélicos neopentecostais do Distrito Federal. Estes são a pontinha do iceberg, porque existem milhares de pastores vendidos ao mundo e que recebem polpudas somas de dinheiro para transformar sua congregação em curral eleitoral.
7. Acreditam que o juízo dos crentes não é para eles; porque estão acima dos demais. Por isso, perderam o temor de Deus e nem imaginam o que lhes espera no dia do juízo de Cristo, quando todos haveremos de prestar contas. Quando se perde o temor de Deus leva-se uma vida desenfreada de pecado, escondida sob o manto da espiritualidade e da vida piedosa.
Criticam a Balaão, mas vivem como ele, profetizando em nome de Deus, mas de olho nos bens de Balaque – porque são insaciáveis financeiramente. São estes os novos líderes que à semelhança de Coré, Datã e Abirão defendem seu sacerdócio e proclamam que também “têm direitos espirituais”, como nos dias de Moisés. À semelhança de Caim pecam voluntaria e conscientemente, esquecendo que já receberam na testa o sinal de Deus que os manterá sob juízo e condenação.
À luz dessas sete características é possível identificar o tipo de igreja que se frequenta, o tipo de líder que se obedece e decidir se deve seguir o caminho do discipulado cristão ou se fará parte do novo reino dos deuses da terra.
Deus tenha piedade de nós!